Imagine um carro com quase 20 anos de idade e que mantém os forros das portas, estofamento, luzes-cortesia, rádio toca-fitas, painel e outros equipamentos originais. Agora imagine o mesmo carro com um motor 2.1l, blower, quadrijet e nitro! Uma receita incomum (senão inédita) montada num carro que fez muito sucesso no Iraque, após ser exportado durante anos do Brasil para aquele país. Confira abaixo o "Canhão Iraquiano"...


  ¤ Tudo começou ¤
Aos 17 anos, Gustavo já possuía uma Saveiro Sunset e a vontade de ter um carrinho de rua forte, mas faltava grana. Após alguns cursos de preparação, muito estudo e cálculos intermináveis, ele decidiu vender a Saveiro e comprar um Passat. Com a grana que sobrasse, Gustavo investiria em veneno.

Gustavão passou a andar num Passat “iraquiano”, motor 1.6 e câmbio de 4 marchas. Logo vieram um comando 276º e uma descarga nova, levando o carrinho a virar 7500rpm. Mas era pouco.

O próximo motor da lista foi um 1.9, todo forjado, alimentado por 2 (carburadores) Weber 45mm e um cabeçote de segunda mão. Apesar do “segunda mão”, o cabeçote valeu a pena, pois trazia nele um comando Crane de 320º, destinado a aspirados muito fortes.

¤ O cupim ataca ¤
Este sim, virava 8.200rpm, com potência em qualquer marcha, um verdadeiro monstrinho. Até o dia em que uma sede de válvula se soltou e...buuuuuuuuuuuuuuuum...lá se foi a parte de cima do motor. Embora sempre fosse alertado sobre os riscos de quebras, Gustavo nunca fora muito cauteloso, até sentir o drama na pele e no bolso.

Nova troca de cabeçote e, com ela, veio o supercharger (blower) com a Weber 45mm. O resultado foi bom, mas Gustavo percebia a necessidade de mais carburador e cilindrada. Até o momento em que o cupim de aço entrou novamente em ação e...uma biela foi cuspida. Motor inteiro pro lixo.

Já formado como engenheiro mecânico e com alguma experiência em motores aeronáuticos, Gustavo aprendeu muito sobre materiais, fluxos em dutos, etc. Apesar de seguirem conceitos muito diferentes, este tipo de conhecimento foi muito importante nesta nova fase do carro...

¤ Ousadia é pouco ¤
Iniciava-se um novo projeto e testes ainda mais radicais. Desta vez, uma ousada combinação do estilo americano no veneno e japonês no conceito de baixo torque com alto giro.

Resultado: motor 2.1, cabeçote “feito” em banco de fluxo, blower, quadrijet, nitro e muito veneno. O comando de válvulas ficou muito “exagerado” e comprometeu a potência final, fato comprovado nos testes realizados no dinamômetro da Multiturbo.

A expectativa era um motor com torque “razoável” e uns 250cv (sem nitro) e 300cv “no gás”. O objetivo era ter um motor de rua potente, mas com alta margem de segurança e que pudesse ser usado de forma mais ousada (com nitro) em algumas raras exceções. A tal segurança viria na baixa taxa de compressão (aprox. 9:1) num comando que não deixasse o motor encher muito em baixas rotações, aliviando as pressões internas nos pistões.

Carro no dinamômetro, acabam os chutes e suposições. Isso realmente aconteceu no dinamômetro, mas o comando jogava muita mistura pra fora, consumindo muita força em baixa e comprometendo a curva de potência de uma maneira geral. A usina só começava a ganhar vida lá pelos 4500rpm e já aos 7200rpm era limitado pelo alto curso (92.5mm) do virabrequim.

Após algumas horas de aferições e testes no dino, foram constatados pequenos problemas num retentor e num rolamento do supercharger (blower). Pra não piorar a situação, testes encerrados, carro na carreta e de volta pra garagem.

¤ Cupim convicto ¤
Palavras do figura...“vou remontar o motor e fazer umas modificações pra garantir mais resistência força ao motor. Estou replanejando o conjunto e deve vir algo mais nervoso, mais resistente, com mais giro, mais potência e, claro, mais riscos. Mas apesar dos riscos, é uma fonte de potência muito interessante”.

¤ Agora é a minha vez ¤
Pra quem curte carros e projetos "fora do comum" o Passatão "iraquiano" do Gustavo é um prato cheio. O histórico do carro é interessante, assim como as experiências, quebras e o conceito do projeto em si. Um baita motor, com uma receita até então NUNCA vista ou experimentada. Tudo isso montado num carro com quase 20 anos de idade e que mantém os forros das portas, estofamento, luzes-cortesia, rádio toca-fitas (!), painel e outros equipamentos originais.

Todos, inclusive Gustavo, esperavam números (potência e torque) um tanto maiores, mas não podemos esquecer que o motor tinha rodado menos de 1.000 quilômetros após ser (re)montado. Além disso, o setup do carro é, como disse acima, inédito até agora, diferente de qualquer preparação feita hoje em dia. Valeu pela coragem de aferir a capacidade do motor, sem ter que ficar supondo ou inventando números. O importante é a disposição de mudar, ajustar e tentar levar o projeto à frente pra mostrar do que ela realmente é capaz.

Valeu pela iniciativa de rodar mais de 80km com o carro (nada de carreta) nas ruas cariocas até o dinamômetro da Multiturbo. Valeu pela tarde divertida que tivemos, pelas experiências, pelas risadas e pelo que tanto aprendemos. Enfim, valeu ter posto em prática algo que, até então, era teoria. Não posso esquecer, porém, do (gostoso) barulho que o conjunto motor / blower / filtro / câmbio fazia quando o condutor levava "pedal to metal", pé no fundo.

Tá certo, Gustavo. Riscos existem pra serem corridos. Boa sorte e até a próxima.



¤ Agradecimentos ¤

| MULTITURBO |

Estrada do Itanhangá, 1079 - Barra da Tijuca
Rio de Janeiro - RJ - CEP: 22750-005
Tel: (21) 2494-3309
Fax: (21) 2494-2461
Site: www.multiturbo.com.br
E-mail: multi@multiturbo.com.br