:: O que é e como funciona o sistema Anti-Lag

Também conhecido como Bang-bang (mais adiante você vai entender o motivo do apelido), o ALS – Anti-Lag System – é um módulo eletrônico que permite minimizar o lag do turbo.

Turbo-Lag ou simplesmente Lag é (exlicando da forma mais simples) o tempo que a turbina leva até atingir sua plena carga/aceleração, partindo de uma carga parcial. O maior ou menor tempo de Lag está diretamente relacionado à inércia, eficiência do fluxo de ar e contra-pressão, entre outros.

Uma válvula de prioridade ajuda a amenizar o Lag, pois atua a cada momento em que o motorista alivia o pé do acelerador, expulsando o ar pressurizado pela turbina enquanto o coletor de admissão (borboleta) estiver fechado. Desta maneira, quando o motorista afundar o pé no acelerador novamente, as pás da turbina não vão ter que “fazer força” pra girar contra o ar comprimido. As pás atuam mais livres, acelerando a reação da turbina e prevenindo desgastes e danos às pás e rolamentos da mesma.


O uso de turbinas maiores em carros de competição e/ou muito preparados tem como objetivo alcançar enormes ganhos de potência. As turbinas grandes possuem um Lag bastante evidente, causado principalmente pelo aumento da inércia rotacional. Nestes casos, nem mesmo a válvula de prioridade é suficiente para ajudar a turbina a “entrar” mais rápido quando o pé for no fundo.

Em alguns casos, como em carros de rali, os regulamentos exigem o uso de placas/flanges restritoras, que aumentam ainda mais o Lag. Foi baseado nestes casos, em que os carros necessitam de muito torque/potência, que criou-se o ALS – Sistema Anti-Lag.

Durante o Lag, um motor fica bem menos “esperto”. Para combater os efeitos do Lag, pilotos começaram a (re)acelerar bem antes do momento em que acelerariam um carro sem turbo. O piloto alemão Walter Röhrl foi quem criou a técnica de freiar com o pé esquerdo, enquanto ao mesmo tempo o pé direito acelera lentamente, mantendo a turbina cheia e pronta pra girar e soprar com força e velocidade. Esta técnica, porém, sobrecarrega os freios.

Apesar do conceito relativamente simples, só após muitas pesquisas e investimentos, o ALS começou a ser usado. A equipe “Toytota Team Europa” foi a primeira a usar o ALS em competições.


Como funciona o ALS

Quando o motorista tira o pé do acelerador, o ponto de ignição é retardado (em alguns casos em até 40º) e a mistura ar-combustível fica mais “rica”. Com o ponto atrasado, a mistura chega no coletor de admissão quase sem ser queimada. Quando a vela finalmente solta a faísca, a válvula de escape já está começando a se abrir, devido ao retardo citado acima. Como o coletor de escape trabalha sob altas temperaturas, a mistura ar-combustível queima ao encostar nas paredes do coletor. A turbina está logo ali e continua ativa com a explosão da queima. É por isso que os carros equipados com ALS soltam imensas labaredas pelo escapamento. O excesso de combustível só se queima antes ou na turbina, gerando as chamas que vemos em corridas ou em alguns carros de rua mal intencionados.

O ALS mantém o carro mais "na mão", com respostas mais rápidas e ágeis, mas por outro lado, também traz alguns pontos negativos:

ø Aumento súbito de temperatura na turbina (de 800°C para 1100°C) rapidamente, sempre que o sistema é ativado;
ø Alto nível de stress no coletor de escape e em algumas tubulações. Se usado num carro de rua, sem maiores cuidados, o ALS pode destruir o sistema de escape em poucos minutos;
ø A turbina produz bastante pressão mesmo em baixos regimes de rotação.

O funcionamento do ALS depende do ar admitido no motor. Quanto mais ar for admitido, mais claros ficarão os efeitos do ALS. Desta maneira, podemos dizer que o ALS pode ser mais ou menos agressivo. Após ser acionado, um ALS médio irá manter entre 0 e 0.3 bar de pressão no coletor de admissão. Em uso normal, sem o ALS, o mesmo motor acusa valores próximos de -1.0 bar (vácuo absoluto). Em usos extremos, como em carros de corrida, o ALS pode manter pressão de até 1.5 bar no coletor com o pé fora do acelerador!

Os sistemas usados na Toyota e Mitsubishi, por exemplo, são mais discretos e silenciosos. Por outro lado, o ALS usado em Ford e Subaru são mais barulhentos e agressivos. Em alguns casos, o ALS pode ter diferentes graus/níveis de uso. O próprio piloto escolhe o nível que quer usar, desde o mais manso até o mais agressivo.

Ao toque de um botão, o carro literalmente se transforma. No barulho, no desempenho, no consumo e nos riscos. O nome Bang-bang (lembra do primeiro parágrafo?) surgiu devido ao barulho que o escape faz, sempre que o pé é tirado do acelerador.

Em alguns campeonatos/regulamentos mundo afora, o ALS é proibido e mesmo no WRC (Campeonato Mundial de Rali) os níveis de ruído têm sido cada vez mais rígidos. A partir de 2002, no entanto, novas opções surgiram para combater o Lag. O EGR – Recirculação dos Gases de Escape – é uma delas e vai, aos poucos, substituindo o ALS, por se encaixar nos regulamentos e por ser menos prejudicial ao motor.
Fonte:
Rallycars.com





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